quarta-feira, maio 16, 2012

Um AVC e um pombo.


Neste final de semana eu perguntei para minha filha sobre a Da Odete.
Da Odete é uma senhora antiga vizinha minha que cuidou muitas vezes do meu irmão, me viu crescer, etc...
As vezes quando eu ficava doente ela me mandava umas sopas...sopas daquelas que nossas avós sabem fazer, e eu ficava bonzim, ou seja, além de ser uma vizinha senhora, era uma senhora vizinha.
Ela acompanhava uma outra senhora, a Da Eline, a dona da casa. Ela trabalhou para Da Eline até seus últimos dias. Depois, como já era 'de casa' ficou por lá cuidando do sobrinho da Da Eline e sua esposa.
Este sobrinho, sempre que eu o via, eu o achava muito esquisito. O 'santo não batia' digamos assim.

Enfim, perguntei como é que ela estava e minha filha falou que ela tinha sido vítima de um segundo AVC.
Me assustei!
Daí ela me contou uma história.

Quando a Da Eline faleceu um amigo da Dona Odete, que é columbófilo, lhe deu de presente um pombo para criar. Ela sempre gostou de pombos.
O pombo era vacinado, de raça e tudo. PORÉM, o tal sobrinho nunca gostou do animal. Com sua idade avançada e saúde debilitada (já vítima de um primeiro AVC) ela fazia trabalhos leves e tentava ''sobreviver'' na casa onde sempre viveu. Um dia ele(o sobrinho) pediu para que a menina que trabalhava lá levasse a Da Odete para passear no shopping. Quando elas voltaram e Da Odete foi alimentar o pombo...cadê?
O tal sobrinho "deu fim" no pombo.
O transtorno foi tão grande que infelizmente minha velha antiga vizinha teve seu segundo AVC e se encontra hospitalizada.
Lamento realmente que um infeliz daqueles se importe tanto com um pombo a ponto de tirar uma das únicas fontes de entretenimento de uma velha senhora a ponto de fazer com que ela tenha um fim assim.
E eu relembro agora que alguns pombos me deram tanta dor de cabeça quando eu morava no outro apto por causa da sujeira que eles faziam e das possíveis doenças que poderiam transmitir.

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