...que sempre fala comigo quando passo por ali.
Ela cortava o cabelo e as vezes eu levava minha filha lá...mas um dia ela me disse:
-Este será nosso último corte. estou ficando cega e não enxergo mais tão bem quanto antes.
Momento triste óbvio, afinal conversávamos várias coisas e ela acompanhou uma fase bem ''libertadora'' da minha vida: a fase em que eu me separara.
Bom, daí então sempre encontros esporádicos...as vezes eu sozinho...as vezes com minha filha...mas, quando com minha filha eu sempre notava que ela puxava um assunto com ela...sobre sua mãe. Reforçava o amor que a mãe sente por ela...e eu ficava ali esperando o 'sermão' acabar. Da última vez o sermão foi mais longo, digamos. A ponto de eu me incomodar.
Ela, a senhora, vive um casamento falido. Ela e o marido se amam mas de uma daquelas formas da moda antiga: casaram e nem se amavam. foram se acostumando um com o outro. Ou seja, de uma fase da minha vida em que a mãe da minha filha ainda morava sobre o mesmo teto que eu tem muito a ver com TODA a vida do casal que vos escrevo pois amor amor amor...não tem. Ou tem. Mas não o amor de um casal que vemos na rua de mãos dadas, cúmplices, amigos, companheiros...eles tem um outro tipo de amor. Um tipo de amor que se eu vivesse eu não seria completo. Digo isso porque depois que me separei eu vivi um 'eu' muito melhor do que eu era. Evolui. Me desenvolvi melhor como pessoa humana. Acho (tenho certeza) que era a pedra no sapato que me acompanhava.
E ainda sobre a senhora...encontrei-a e por pouco não converso com ela. Lhe falo um recado. Um recado que com certeza ela não vai esquecer: o de deixar a vida das pessoas em paz pois não é porque ela viveu uma vida de uma forma, que todos vivem. Provavelmente essa hora chegará. espero que sim.
Ah, pô, tu vai mandar o maior carão na véia cega?
Não! Vou conversar educadamente como conversaria com qualquer ser humano pedindo um favor.
Não sou louco de chegar lá dando a voadora. O fato é que as pessoas esquecem que as vezes nós temos esse direito. Esse direito de chegar e dizer:
-ei!, isso me incomoda.
-ah, lá vai brigar!
NÃO! Não é brigar. É conversar civilizadamente expondo seu ponto de vista diferente da outra pessoa.
E isso pode gerar uma discussão?!
Sim! Mas quem está para brigar já chega com arrogância e não com a guarda abaixada.
2 comentários:
Pedir de volta o respeito que damos em correntes aos outros! Simples assim!
No caso seria adverter ao próximo que quando há alguma criança envolvida na história, o babado é beeeem diferente.
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