terça-feira, dezembro 14, 2010

Nova encarnação da Plebe Rude lança CD e DVD ao vivo e que virar referência para o novo rock nacional.

Ligo no escritório da Showlivre, estúdio do Clemente, e peço para falar com ele sobre sua participação na Plebe Rude. A secretária responde: “Participação onde?” “Plebe Rude”, repito com calma e de forma pausada. “Hum... pode soletrar?” Soletro, acho graça e ela: “É que desse jeito passo o recado e não fica nenhum mal-entendido, certo?” Certíssimo. Tanto que, quando retorno mais tarde, ele sabe do que se trata e pede desculpas, pois estava corrido e não conseguiu me ligar de volta.

Assim é um pouco a cara do rock dos anos 1980: não muito conhecido. Há bandas mais expressivas, do mainstream (como Titãs, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho), mas também uma pancada de nomes undergrounds, da cena alternativa, caso dos Inocentes (banda na qual Clemente é líder) e da Plebe Rude, assunto desta matéria. Os caras estão comemorando 30 anos de existência com a dobradinha CD e DVD prometidos para o primeiro trimestre de 2011. A conversa com o Clemente foi para isso: saber como era a participação dele na Plebe. “Cara, é só diversão, muito bom. A responsabilidade fica toda com o Philippe, então, vou só para curtir o som e tocar com eles!”, conta enquanto ri.

Por trás de uma grande banda, sempre tem pelo menos um cara persistente. No caso da Plebe Rude, o posto pertence a Philippe Seabra. Idealizador da banda, Philippe falou sobre o DVD: “‘E se celebrarmos Brasília e a história da banda?’, foi o que pensamos para esse show. Eu mesmo desenhei o palco, que colocamos de costas para o Lago Paranoá, com a Praça dos Três Poderes ao fundo. O cenário do show foi a própria cidade”. Pergunto sobre o que alguns chamam de “volta” da Plebe. “Nunca fomos embora. Voltamos mesmo em 2000, mas estamos na ativa desde então, sempre fazendo shows. Nosso último CD de inéditas foi em 2006. Então, para quem não conhece, são oito inéditas neste novo álbum e DVD.” Como dissemos, não dá para garantir uma ampla divulgação com o underground.

Philippe, no entanto, acredita que, com esse lançamento, seja possível reapresentar a Plebe Rude. “Nos shows, tem comparecido uma molecada mais nova, que curte o som, não só os quarentões de sempre. Aliás, com 13 anos, eu tinha uma banda que abria para o Aborto Elétrico, com 14, já tinha a Plebe. Ninguém aqui é novo, mas acho que temos algo a apresentar. Muita gente reclama dessa nova leva de bandas adolescentes de rock, mas eles só estão regurgitando o que receberam de programas infantis fracos e de uma cultura em pedaços. As bandas ‘popzinhas’ só estão devolvendo o que absorveram. Por isso, achamos que podemos ser referência.”

Philippe não está sozinho nessa crença. Osmar Santos Jr, radialista e um dos responsáveis pela programação da Brasil 2000, diz que tem garimpado muita coisa e ainda há qualidade no rock nacional. “Mas é raridade. Acho que a Plebe Rude pode ser um exemplo para esses meninos. Desde o primeiro álbum deles, O concreto já rachou (esgotado), fiquei fascinado por aqueles arranjos vocais. A molecada tem muito a aprender, até em termos de composições, que são fracas.” Kid Vinil, uma das almas dos anos 1980 e referência musical para o rock até hoje, vai na mesma linha: “O principal problema dessas bandas novas, adolescentes, são as letras, muito bobinhas. Acho também que a Plebe pode ser essa referência, para que algo de qualidade seja feito”.

Para Philippe, a referência vai além. “Comparando com bandas por aí, com a experiência que temos, não tem para ninguém, ainda mais com o Clemente fixo conosco, sem ser mais participação apenas”, declara, correndo o risco de parecer ousado, mas validado por 30 anos de história, fãs e reconhecimento de quem entende do assunto.

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