
Lembro quando o Benfica era diferente.
Ficamos bestificados quando os postes de energia elétrica tomaram as ruas e o acendedor de lampiões perdeu seu emprego.
Também lembro do velho que gritava:
vaspranás pra dor...vaspranás pra dor...
e segurava umas vassouras.
Com o tempo vim notar que ele gritava:
-Vara de espanar,espanador!
E tinha também aquele cara que vendia leite num depósito metálico em forma de garrafão, num jegue. Também mudou de emprego pq o riacho de onde ele tirava a água pra desdobrar o leite secou.
E para finalizar a sessão "memórias de uma infância feliz" não poderia deixar de citar o senhor vicente simões, vendedor de algodão doce.
Era mágico a gente ver o algodão doce surgindo daquela caixa acoplada numa bicicleta...e era num tempo em que não existia quiky, e ele arranjava aquela areia branca(açúcar) e num outro depósito uma areia avermelhada...
aliás..rosada. Acho que ele morreu. Já tava velho.Nunca mais o vi.
Ah, tinha o seu oliveira também.
Um velho magro, alto...mas com aspecto de duro na queda.
Ele era pedreiro. Pedreiro oficial da nossa casa.
Acho que ele fez tanta reforma lá em casa que se contasse...tinha dado pra levantar uma casa igual a que morávamos.
Conforme foi passando o tempo, ele foi ficando baixo e mais magro ainda com um aspecto de frágil.
Na verdade ele continuou a mesma coisa...eu é que cresci.
Ele fazia um trabalho lá em casa quando faleceu.
Deixou até parte das ferramentas lá em casa.
Meses depois uma amiga da minha tia falou que o viu passando lá por Maranguape(distrito de Fortaleza).
Ficamos na dúvida.
Seria o ghost dele?
Só sei que as ferramentas sumiram.
De pouquim em pouquim com os anos.
Gosto de pensar que ele veio resgatá-las uma por uma pra não dar na vista.
Esses aspectos...esses pontos de vista que eu tinha ou que me eram apresentados da realidade da vida acho que me ajudaram muito a criar fantasias e me permitiram ser uma criança feliz. Havia muito espaço para o lúdico e eu nem sabia soletrar essa palavra.
NOTA: não sou eu na foto mas bem que poderia ser.
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