segunda-feira, junho 16, 2008

Diálogo sobre a amizade


"Porque em primeiro lugar, como pode ser suportável a vida que não repousa na mútua benevolência de um amigo? Que coisa tão doce como ter com quem falar de todo tão livremente como consigo mesmo? Seria porventura tão grande o fruto das prosperidades, se não tivessemos quem delas se alegrasse tanto quanto nós mesmos? E se poderiam sofrer as adversidades sem alguém que as sentisse ainda mais que aqueles mesmos que as experimentam? Finalmente tantas quantas coisas se apetecem, cada uma tem o seu uso particular: a riqueza, para o uso; o poder, para a veneração; as honras, para os aplausos; os prazeres, para o gozo; a saúde, para não sentires dores e ser expedito nos exercícios corporais; a amizade, abarca muitas coisas; para qualquer parte que nos volvamos a encontramos solícita, em todos tem lugar, nunca é impertinente, jamais molesta. E não falo agora de uma amizade vulgar ou mediana
(embora também esta deleite e aproveite), mas da verdadeira e perfeita, como foi a daqueles poucos que são tão afamados. Esta faz mais abundantes as prosperidades e as adversidades, rompendo-as e unindo-as, tornando-as mais suportáveis."


Este texto foi escrito por Marcus Tullius Cicero há um certo tempo atrás (bem antes de Cristo). Cicero foi entre outras coisas, orador, advogado, político e filósofo. Cicero também deve ter tido bons amigos. Ou pelo menos um grande bom amigo. Sei que não se precisa necessariamente ter experiência em algo para poder se falar a respeito... Bom, nesse caso, desejo que Cicero tenha tido um bom amigo. E um bom amigo se conhece (assim como se conhece um homem), não pelas suas palavras e sonhos, mas por suas atitudes. Esse texto é em homenagem as amigas que hoje não me deixaram esquecer quem eu sou.

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